Que tal falar sobre perda gestacional?

Na semana que eu estaria completando 40 semanas (pela DPP) da segunda gestação, decidi escrever sobre a perda gestacional, que pode ser por óbito fetal, aborto espontâneo ou nascimento do natimorto e ocorrem entre 15% a 20% das gestações no Brasil.

 

Não lembro de ouvir muitas mulheres comentando sobre seus abortos ou perdas antes de ter vivenciado, mas durante o processo do meu aborto espontâneo pude trocar mensagens com mulheres que compartilharam suas histórias de perdas, dores, lutos e superações - algumas parecidas e outras diferentes.

 

Cada mulher tem sua maneira de lidar com a perda e seus motivos para falar ou não sobre. E será que algumas evitam o assunto por não associarem como parte ou como filho o embrião/feto/neném que não se desenvolveu ou que não viveu? Será que pensam, sentem e desejam associar?

 

Alguns familiares e a sociedade geralmente não integram, incorporam ou aceitam, e às vezes chegam a ignorar conversas, podendo passar a impressão de desvalorização ou falta de empatia com as mulheres que acabaram de passar pela perda. Podem faltar afetos, palavras, abraços e presenças.

 

Normalmente não há opções e nem tempo para tomar uma decisão que envolva uma despedida respeitosa e saudável. E isso, depende de cada caso e de cada desejo, que pode envolver curetagem ou não, um parto normal ou não!

 

O meu vínculo esperado de mãe-bebê estava se esvaindo em sangue aos sete/oito semanas de gestação e aos poucos fui ressignificando com visualizações, mantras, terapia, foto de barriga, tatuagem, poema e relato.

  

Quem passou pela perda como lidou? Será que concretizou a despedida, deu tempo ao luto, falou sobre a perda, fez algum ritual de passagem para materializar e se desligar do neném?

 

Compartilho e escrevo por acreditar que alguém talvez se inspire e pense nas suas próprias questões. Que possa seguir com a sabedoria que dias melhores virão e que procure, peça e receba apoio e cuidados.

 

 

Existem métodos terapêuticos, entre em contato comigo e agende sua consulta.

 

Compartilho agora sobre meu processo de aborto espontâneo e continue lendo caso tenha interesse.

 

Tive o privilégio do obstetra que me acompanhou, sugerir a curetagem, mas me dar à liberdade – com um prazo - de fazer o que eu desejava: que era observar as reações corporais, confiar, acreditar e aguardar o corpo expelir.  E também recebi assistência, apoio, acolhimento e orientação de parteir@s (enfermeri@S obstétric@s) muito especiais.

 

Foram 6 dias desde a ecografia que mostrou o aborto inevitável, embrião sem vitalidade até o segundo exame que mostrou útero limpo. Durante este tempo, duvidei se o corpo daria conta; fiquei com medo de ter complicações; desconfiei de ver algo a mais junto com o sangue; senti culpa de talvez ter feito algo que pudesse ter prejudicado; receio de traumatizar minha filha mais velha; tive diferenças com meu marido do que era melhor fazer.

 

Vivenciei a morte, e com ela a perda, a dor na alma, fracas cólicas e fluxo de sangue intenso. Eu estava perdendo o que desejei, planejei e esperei. Estava indo embora meu neném que não pude nem ouvir o coração, e que não teria chance de pegar no colo, dar de mamar e ninar. Não teve corpo para me despedir. Aquele ser, que não cheguei a saber se era menino ou menina, não nasceria, cresceria nem seria criado. Era um pedaço de mim indo embora, era uma parte minha morrendo sem futuro. Não recebi procuras para programar visitas, afinal não tinha bebê e então, como se age na perda?

 

E o que ganhei?  Coragem de confrontar o vazio e aceitar as diferenças; confiança no espiritual e suas singelas demonstrações; força para priorizar o autocuidado, de buscar expressar o que eu sinto e o que eu necessito. Fiquei 15 dias de licença-saúde e lembro da vista de um casal de amigos e de uma prima dispostos a ouvir desabafos, recebi escalda pés do marido. Recebi apoio por mensagens com as melhores das intenções, algumas confortaram outras foram cruas.

 

Meu relato e poema estão disponíveis facebook. aqui

 

E fica a lição que o corpo é uma residência temporária...

 

 

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